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A minha geração ainda é a geração Prozac, ou melhor, a geração “o melhor antidepressivo com menos efeitos colaterais”. Dos meus amigos, 90% estão com depressão e, pelo menos, 85% tomam antidepressivos. Os 10% que sobram, eu diria, vivem bem fingindo que não têm problemas ou simplesmente não ligam para eles. E eu me pergunto o que acontece.
Será que os jovens de classe média saem do mundo cor de rosa que seus pais criaram e não conseguem enfrentar a vida quando adultos ou será que a vida está mais complicada? Eu acredito um pouco em cada uma dessas respostas. Nunca antes tudo foi tão fácil. Nunca antes tudo foi tão difícil.
Hoje, ninguém é de ninguém, todo mundo é de todo mundo. Por outro lado, ter alguém de verdade com você, ao seu lado, está cada vez mais difícil. As relações são voláteis como uma garrafa de Absolut aberta numa ensolarada tarde na praia. Mentir e enganar é tão comum e fácil. Se apaixonar e viver uma grande paixão também. Talvez o ser humano não esteja preparado para toda essa liberdade e individualidade. Um mundo de opções ao esticar os dedos. E você tem que conseguir pegar todas, senão o maior número possível. É muito mais simples quando tudo é dado ou pelo menos quando tínhamos que escolher entre algumas opções.
Agora, temos que decidir o que fazer para ganhar a vida, mas ao mesmo tempo nos questionamos se queremos mesmo ganhar a vida, temos que ser bom nisso, mas também temos que aproveitar a vida. Temos que encontrar o amor de nossas vidas, mas temos que curtir muito, aproveitar toda a “disponibilidade” do mercado. Temos de ser feliz, divertido, compenetrado, competente... ufa... mas eu quero realmente tudo? Nossa sociedade nos diz todas as horas das maneiras mais subliminares e descaradas possível que TEMOS que querer e ser tudo isso. E, claro, ninguém é tudo ou consegue tudo ao mesmo tempo. Aí a frustração é a saída óbvia.
Não gosto do meu emprego, trabalho muito, não é o que quero da vida. Estou feliz com minha namorada, mas também quero me divertir com meus amigos e até pegar umas meninas por aí. Quase todo mundo hoje concorda que sexo e amor não caminham juntos. Há quem me diga até que você pode amar alguém e se envolver com outras pessoas. O homem é ou não é poligâmico por natureza? (E aqui eu falo homem, mas me refiro a homens e mulheres, ok?? Sem machismos). Tem aquelas solteiras também que gostam da liberdade, de baladar, mas que também sentem falta de um carinho e da companhia de um namorado de vez em quando.
Isso tudo, fora o excesso de diversão e entretenimento. Cinema em um dia, bar em outro, teatro, exposição, balada... Nunca damos conta de ver todos os filmes que todo mundo fala, nunca ouvimos todas as bandas suuuper legais da moda, nunca conhecemos todos os bares ou saímos com todos os amigos. Deixamos de ter que escolher para ter que pegar tudo (em todos os sentidos). E ficar em casa, sem fazer nada, é quase um sacrilégio.
Cansa só de ler, não? E tomar remédio não é a saída mais fácil como muitos podem achar. Tomar remédio é desistir, é assumir sua frustração, seu “fracasso”. E acho que este é o primeiro passo para, além de melhorar quimicamente, livrar-se de toda essa pressão sem sentido.
Escrito por Lilian às 17h50
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